Barra do Garças: infestação de caramujos pode causar doenças e exige controle adequado

Por Bárbara Árgolo/Boto Blog 15/05/2018 - 17:39 hs

Foto: Reprodução

Em determinadas épocas do ano, como o período das chuvas, jardins, hortas e terrenos baldios, são tomados por lesmas e caramujos em busca de alimento e ambiente propício para a reprodução. Eles se multiplicam rapidamente e se transformam em infestações que podem prejudicar a saúde das pessoas e animais domésticos. Muita gente não sabe como controlar corretamente esse tipo de praga e acaba agravando a situação.

A espécie mais encontrada nas cidades é o caramujo-gigante africano, que foi trazido ao Brasil há cerca de 20 anos para servir como opção mais barata ao escargot, um tipo de caracol usado para fazer um dos pratos mais famosos e chiques da culinária francesa. A espécie passou a ser criada por muitos produtores, o que fez com que ela se disseminasse por todo país. Mas, o consumo não foi bem aceito e sem obter lucro com as criações, muitos produtores fizeram o descarte incorreto dos bichos, o que gerou a proliferação descontrolada.

Não é exagero dizer que o caramujo-gigante conseguiu dominar quase todo o território brasileiro. De acordo a professora do curso de Biologia da Universidade Federal de Mato Grosso, Geane Brizzola dos Santos, atualmente há uma fase explosiva da invasão desse animal aqui no país: ele já pode ser encontrado em 24 dos 26 estados (sem registro apenas no Acre e no Amapá) e no Distrito Federal.

O bicho come quase tudo que encontra pela frente. Para a professora Geane, essa característica facilitou a reprodução e a permanência do caramujo: “Ele se alimenta de flores, folhas, frutos, hortaliças e até de papelão”. Além da alimentação simples e variada, o caramujo africano possui resistência à seca e ao frio, o que dificulta o extermínio. Fora do período chuvoso, o caramujo se enterra no chão para se proteger do calor e do sol até o ambiente voltar a ficar úmido. Sem controle, ele pode dar trabalho por muito tempo aos moradores, podendo sobreviver por quase dez meses.

A professora Geane alerta que o caramujo-gigante africano pode transmitir doenças, causar danos ao meio ambiente e prejuízos econômicos. Ele é hospedeiro intermediário de larvas de um tipo de verme que vive no trato digestivo dos humanos e de mamíferos como cães e gatos. Além disso, pode transmitir também o verme causador da meningite eosinofílica, uma  inflamação aguda das membranas protetoras que revestem o cérebro e a medula espinhal.

Kenedy Diego, morador do bairro Jardim Paraíso, em Barra do Garças, onde recentemente ocorreu um período de infestação do caramujo-gigante africano, reclama que os bichos causaram transtornos principalmente durante a noite, quando apareciam em maior quantidade. “Coloco cal nas portas para evitar que os bichos entrem em casa e lavo as calçadas com água sanitária todo dia de manhã por causa dos meus cachorros” conta, informando ainda que recolhe os moluscos mortos e enterra conforme orientação que buscou na internet. Ele acha “nojento e perigoso” o recolhimento e o descarte dos bichos e busca se proteger como pode, pois sabe que essa espécie pode transmitir doenças.

Segundo a professora Geane, esse procedimento funciona bem, pois o cal seca a pele do caramujo e ele acaba morrendo. O descarte também é correto, pois “é uma forma de controle, controle manual através da catação” ressalta a bióloga.

Ela também explica que uma das melhores formas de controlar os caramujos é limpar terremos baldios e quintais mal conservados que geralmente apresentam acúmulo de resíduos, entulho e grama mal aparada: “O saneamento é parte integrante no desenvolvimento de qualquer outra medida de controle, pois minimiza as chances do invasor manter sua população viável e expõe os caramujos, facilitando a coleta manual”. Segundo ela, as ações sanitárias não devem ser conduzidas apenas em focos isolados, ou seja, locais onde foi encontrada uma infestação, mas devem abranger uma área mais extensa, evitando que os caramujos mudem para outros lugares próximos e causem novas infestações.

Outra forma de controle é a utilização de produtos químicos na forma de moluscicidas (um tipo de veneno) para combater os caramujos terrestres em ambientes urbanos, agrícola ou natural. Mas esse procedimento precisa de autorização legal por parte dos órgãos governamentais, adverte a bióloga. No Brasil, os órgãos responsáveis pela autorização e regulamentação do uso de pesticidas são a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), Ministério da Agricultura (MAPA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis (IBAMA). Entretanto, Geane alerta que até o momento não existem no Brasil moluscicidas artificiais ou naturais legalmente autorizados para combater o caramujo africano: “Todas as medidas de controle devem ser planejadas e autorizadas pelos órgãos competentes, no âmbito municipal e estadual, de modo que não comprometa o ciclo de vida de outras espécies”.

Ou seja, para evitar que o caramujo se torne uma praga é melhor ficar de olho nos quintais e terrenos baldios. Os cuidados de limpeza ainda são uma forma simples e segura de proteger a saúde e evitar transtornos.